28.12.2013


Mi querido amigo Luis Delgado, de la Universidade Católica de Brasilia, tuvo la gentileza de traducir al portugués mi nota sobre la desafortunada compra de aviones suecos realizada por Dilma Rousseff. La pongo a disposición para facilitar la lectura de los amigos brasileros y su circulación en las redes sociales de ese país. Aclaro, para quienes piensen que SAAB es una empresa inmaculada en el mar de la corruptela empresarial, que ya en el año 2007 un artículo del International Herald Tribune informaba que «el nuevo funcionario de la lucha anticorrupción del país, Christer van der Kwast, investigará esta semana las acusaciones de que Saab ofreció enormes «comisiones» secretas para promover la venta de su jet de combate Gripen a la República Checa y a Austria.». Esa nota fue reproducida en la Argentina en:  
http://www.lanacion.com.ar/908363-la-impecable-imagen-de-suecia-manchada-por-los-escandalos
No estoy insinuando que lo mismo haya ocurrido con las compras de los Gripen-NG por Brasil, pero es un dato que habría que habría que registrarlo porque sería estúpido ignorarlo. 

«Brasil: Um incrível (e enorme) erro geopolítico»

Por Atilio A. Boron


Uma das derivações mais inesperadas da crise nas relações entre o
Brasil e os Estados Unidos, que deu origem ao duro discurso da presidente Dilma
Rousseff na Assembleia Geral da ONU e o cancelamento da “visita de Estado” para
Washington – prevista para outubro deste ano- teve um impacto direto sobre um
tema que rondava nos despachos oficiais em Brasília desde 2005 e que até poucos
dias atrás permaneciam sem solução: a controversa renovação da frota de 36
caças para o Brasil que precisa controlar o seu espaço aéreo e, especialmente,
a da vasta bacia amazônica e sub- Amazônia.
De acordo com os especialistas brasileiros, a frota disponível
atualmente no Brasil é obsoleto ou, na melhor das hipóteses, insuficiente, e da
necessidade de renovação urgente não pode ser adiada. No entanto, depois de
anos de estudos, relatórios e testes entre os atores envolvidos na decisão não
chegam a um acordo. As propostas consideradas pelo concurso lançado em 2001
pelo governo brasileiro foram três: o Boeing F/A-18 E / F Super Hornet (
originalmente fabricado pela empresa americana McDonnell Douglas,
posteriormente adquirida pela Boeing ), o Dassault Rafale de França e a sueca
SAAB Gripen -NG . Uma alternativa, descartada ab initio por razões nunca esclarecidas, mas, sem dúvida, por
razões politicas, foi o Sukhoi Su-35 de fabricação russa. Num primeiro momento
a maioria do Alto Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) e diferentes setores
da burocracia política e diplomática de Brasília estavam inclinados a comprar
novos equipamentos nos Estados Unidos, enquanto outros favoreciam os Rafale
franceses e um setor francamente minoritário a os Gripen –NG suecos . A
dissidência levou à paralisia e Lula, apesar de sua autoridade indiscutível,
teve de resignar-se a deixar o cargo incapaz de resolver o impasse, apesar de
ter sido conhecida por todos sua inclinação em favor do Rafale. A indecisão
terminou há poucos dias 
com uma decisão muito desafortunada –a menos ruim, mas longe de
ser a melhor- como será visto a seguir: comprar os Gripen -NG suecos.



Rachaduras
em uma relação especial
A revelação surpreendente de espionagem conduzida por Washington
sobre o governo e a liderança do Brasil -isto é, em um país que soube ser um
dos seus mais fiéis aliados nas Américas- foi à gota d’agua para inclinar a
balança contra o F -18. A incondicionalidade nos vínculos de sucessivos
governos do Brasil com os Estados Unidos , descíamos, era mais que sabida, mas
saltou para a luz com a desclassificação em agosto de 2009,  de um relatório da CIA, onde se dava conta da
«construtiva» troca de ideias sustentadas em 1971entre os presidentes
Emilio Garrastazu Médici e Richard Nixon a efeitos de explorar melhores métodos
para desestabilizar governos de esquerda em Cuba e Chile. Este é um dos muitos
exemplos de «colaboração» entre Brasília e Washington. Apenas lembrar
a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, lutando lado a lado com a
U. S.
Army, ao que poderíamos acrescentar
mais uma: em fevereiro de 1976 Henry Kissinger viajou ao Brasil para formalizar
o que pretendia ser uma aliança forte e duradoura entre o gigante sul-americano
e os Estados Unidos. A derrota humilhante no Vietnã exigiu o reforço das
relações imediatas com a América Latina, que como Fidel e Che repetiam até o
cansaço, é a retaguarda estratégica do império. Nada melhor do que começar pelo
Brasil, em cuja capital Kissinger foi recebido como uma celebridade mundial e
assinou um acordo histórico com o ditador brasileiro Ernesto Geisel. De acordo
com o mesmo as duas grandes potências do Hemisfério Ocidental (para usar a
linguagem da época) se comprometiam a realizar consultas regulares ao mais alto
nível em matéria de política externa. Subjazia a este acordo o conhecido axioma
de Kissinger dizendo que “para onde o Brasil se incline vai se inclinar a
América Latina”. Acordo que morreu ao nascer, porque, como lembra permanentemente
Noam Chomsky, Washington não permite qualquer restrição em suas decisões, tanto
se brotam de um tratado bilateral ou de qualquer outra fonte de direito
internacional. Se a Casa Branca quer consultar, o faz, mas não se sente
obrigada a fazer, e muito menos submetida aos termos de um tratado ou convenção.
Em qualquer caso o anterior revela a intenção de ambas as capitais para
coordenar suas políticas. Neste contexto histórico a coordenação ocorreu no
campo de atividades repressivas a serem desenvolvidas no Cone Sul , como
amplamente foi demonstrado pelo sinistro Plano Condor. Em datas mais próximas,
em 2007, Lula e George W. Bush assinaram um acordo para compartilhar tecnologia
com o objetivo de promover a produção de
agrocombustíveis -bom
negócio para os EUA e depredação ecológica para o Brasil- fortalecendo
novamente os tradicionais «laços de amizade e cooperação» entre
Washington e Brasília.
Agora bem: a ilegal- além de ilegítima- interdição dos cabos,
mensagens e telefonemas da presidente do Brasil (assim como muitos governantes
e funcionários de outros países da região) teve, no caso do Brasil, um peso
muito agravado porque Washington também cometeu outro ato grosseiro de
delinquência comum: a espionagem industrial, praticado contra a Petrobras. Não
era arriscado, por isso, prever que este conjunto de circunstâncias quase
certamente precipitaria o resultado da indecisão prolongada em relação ao reequipamento
da FAB. Depois do acontecido seria insensato para o Brasil decidir renovar seu
material aéreo com aviões norte-americanos. Mas então, quais seriam as
alternativas? Como substituir o que, obviamente, era o avião favorito da FAB?

Alternativas
de reequipamento.
Um relatório secreto da própria FAB, de Janeiro de 2010, (mas que alguém
se encarregou de vazar para a imprensa) e foi enviado para o Ministério da
Defesa avaliando os três principais candidatos à renovação da frota de caças classificaba
ao Gripen- NG claramente atrás do francês Rafale e o F-18 Super Hornet. De
acordo com o relatório, as suas capacidades técnicas e militares eram
inferiores aos dos seus congéneres franceses e americanos. É verdade que também
era inferior seu preço, estimado em 70 milhões de dólares, enquanto o preço
doF-18 girava em torno de 100 milhões de dólares e do Rafale, muito mais caro,
é quase na ponta dos 140 milhões. Uma vez que o relatório foi divulgado, em
seguida, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi rápido para esclarecer duas
coisas: primeiro, que a decisão final sobre a aquisição da aeronave seria
tomada pelo Governo e não pela FAB; em segundo, em linha com as declarações de Lula
que o preço da aeronave poderia tornar-se um fator determinante na decisão. A
possibilidade insinuada na época por Nicolas Sarkozy de que o Brasil poderia
receber tecnologia e fabricar o Rafale em suas próprias instalações industriais
e, em seguida, vendê-las -embora apenas na América Latina- foi o que inclinou na
balança de Lula em favor de Rafale. Mas a sua decisão não convenceu a liderança
da FAB e de outros setores do governo, firmemente favoráveis a fechar o negócio
com a Boeing . É claro que, ao contrário dos franceses, a construtora dos Super
Hornet não parecia muito disposta a falar sobre a transferência de tecnologia, agregando
o fato de que a história recente registrou um precedente inquietante: o «regime
de Washington» habituado a proibir a venda de peças de reposição de aviões
dos EUA para países classificados pelo Departamento de Estado como «hostil
aos Estados Unidos» ou «não cooperativos» na nebulosa e vaga
guerra contra o narcotráfico e o terrorismo internacionais. Ou seja, a países
que tiverem audácia de fazer uma política de não alinhamento com os EUA. E este
era um risco que não poderia ser subestimado pelos compradores.
Em outras palavras, enquanto os Super Hornet pareciam mais
atraentes, tanto em termos económicos e por sua avançada tecnologia e da
continuidade que ofereciam com parte da dotação atual das FAB, o fato é que o
incidente diplomático da espionagem ligado ao risco de que, em caso de um
conflito entre Brasília e Washington, este fizesse com Brasil, por exemplo, o
que fez pouco mais de dez anos com a Venezuela Chavista contribuíram para
enfraquecer o frente «pró- americano». Como se lembrará, nessa ocasião
o presidente George W. Bush, impôs um embargo à venda de partes e repostos de
peças e o mais importante, ao envio dos sistemas computadorizados de navegação
e de combate que, tais como os software de computador, se renovam a cada poucos
meses, e sem a versão mais recente do «hardware», neste caso, os
aviões, param de fornecer os serviços que se espera deles .
Bastaria, no caso, de uma disputa e a Casa Branca poderia decidir,
ainda que seja temporariamente, o fornecimento de novas versões desses sistemas
para que estes aviões ficassem inutilizados e a Amazônia desprotegida. Se o fez
com Chávez, por que não haveria de reincidir nessa conduta no caso de um
conflito de interesses com o Brasil?

Lamentável
ausência de uma reflexão geopolítica
A paralisia tanto tempo bloqueada da renovação de material aéreo
da FAB se houvesse facilmente destravado se as pessoas envolvidas na tomada de
decisão se tivessem feito esta simples pergunta: quantas bases militares na
região têm cada um dos países que nos oferecem suas aeronaves para monitorar
nosso território? Se eles a tivessem feito a resposta teria sido: Suécia não
tem nenhuma; França tem uma base aeroespacial na Guiana Francesa, administrada
em conjunto com a NATO e com a presença de militares norte-americanos; e os EUA
têm, no entanto, 77 bases militares na região (última contagem, de dezembro de
2013), um punhado deles alugado ou coadministrado com terceiros países como o
Reino Unido, França e Holanda. Algum burocrata do Itamaraty ou algum militar
brasileiro treinado em West Point poderia argumentar que estas bases se
encontram em países distantes, que estão no Caribe e cuja missão é monitorar a
Venezuela bolivariana. Mas eles estão errados: a dura realidade é que, enquanto
esta é cercada por 13 bases norte-americanas em seus países vizinhos, o Brasil
está literalmente rodeado por 24, que passam a ser 26 se somarmos as duas bases
britânicas de ultramar disponíveis para EUA -via NATO- no Atlântico equatorial
e meridional, nas Ilhas Ascensión e Malvinas, respectivamente, e no meio de
cuja linha imaginária se encontra nada menos que o grande campo petrolífero do
Pré-Sal. E obvio que comprar armas a quem ameaça com tão formidável presença
militar não parece ser um exemplo de sabedoria e astúcia na arte sofisticada de
guerra.
Por outro lado, ao tomar uma decisão dessa magnitude deveria ter
sido ponderado à probabilidade do surto de algum tipo de conflito aberto,
inédito até agora na história das relações Brasil-Estados Unidos, mas
certamente não é impossível. Probabilidade extremamente baixa, se não
inexistente, se é a Rússia ou a China, mas aumenta no caso dos Estados Unidos
ou qualquer um de seus “proxies” -talvez “lacaios» seria o termo mais
apropriado- europeus iniciarem uma caça inescrupulosa cada vez mais violenta pelos
recursos naturais. Portanto, a chance de que, ao longo dos próximos dez ou
quinze anos, poderia surgir um sério confronto entre Brasília e Washington pela
disputa de algumas das enormes riquezas alojados na Amazônia -água, minérios
estratégicos, biodiversidade, etc.-, ou pela eventual recusa do Brasil a
secundar a os Estados Unidos em uma aventura criminosa como a que planeja para
a Síria ou o Irã, ou a que já fez na Líbia e no Iraque, não é nada marginal. Além
disso, diríamos que os Estados Unidos, acossado pela desestabilização da ordem
neocolonial imposta no Oriente Médio com a ajuda de aliados tão nefastos como
Israel e Arábia Saudita e suas crescentes dificuldades na Ásia, colocam em
questão o fornecimento de petróleo e de matérias-primas e minerais estratégicos
demandados pela sua insaciável voracidade de consumo. Essa combinação de
fatores faz com que seja altamente provável que, mais cedo ou mais tarde, se
desencadeie um claro confronto entre Washington e Brasília. Se tal eventualidade
fosse um mero jogo de imaginação e muito baixa, se não for zero, probabilidade
de ocorrência, então não se entende as razões pelas quais os EUA implantou tal
quantidade de bases circundando ferreamente ao Brasil por terra e mar. Se
Washington fez não foi por acidente ou acaso, mas na expectativa de qualquer
disputa que seus estrategistas acreditam que será difícil ou impossível de
resolver por meio de canais diplomáticos. Se eles instalaram as bases é porque,
sem a menor dúvida! O Pentágono contempla no horizonte uma hipótese de conflito
com o Brasil. Caso contrário, tais implantações destas unidades de combate
seria ridículo e completamente incompreensível.

A chantagem dos
EUA sobre os aviões Europeus
Dado este fato inocultável da realidade uma parte crescente dos
atores neste processo de decisão começaram a inclinar-se para o Rafale francês até
que … O presidente François Hollande jogou ao mar toda a tradição gaullista,
declarando que seu governo estava disposto a secundar nada menos que o plano
criminoso de Barack Obama  para
bombardear a Síria! O anúncio foi feito depois que o Parlamento britânico
recusou-se a acompanhar tão sinistra iniciativa, onde surgiu de imediato a
seguinte questão: que garantias poderia ter o Brasil que, em uma disputa com os
Estados Unidos, Paris não se curvaria solícito ante um pedido da Casa Branca
para bloquear o envio de peças e software para os Rafales adquiridos pelo
Brasil? Se apenas alguns meses atrás, Hollande 
mostrou cumplicidade incondicional com um plano criminoso como o
bombardeio indiscriminado da Síria, por que pensar, então, que agiria diferente
em caso de um conflito aberto entre Brasília e Washington?. Nesse caso a Casa
Branca iria recorrer a seu manual contendo os «procedimentos padronizados
de operação «(SOP, por sua sigla em Inglês) e rapidamente denunciaria que
Brasília «não colabora» na luta contra o terrorismo e o narcotráfico e
torna-se assim uma ameaça à «segurança nacional» dos Estados Unidos
e, se escondendo atrás de uma lei do Congresso, embargaria o envio de peças e
software para o país sul-americano e solicitaria o mesmo pedido a seus aliados
europeus. Poderia se confiar que a França ou a Suécia não se iriam dobrar as
exigências dos EUA? De jeito nenhum! Consideremos o registro histórico:
atualmente países como a Coréia do Norte, Cuba, Irã, Síria, Sudão e, para
certos produtos, a República Popular da China, são vítimas de diversos tipos de
embargos, e em todos os casos Washington tem a solidariedade de seus comparsas
europeus. No caso Cubano, o mais radical de todos, mas que um embargo para
certos tipos de produtos, é um bloqueio integral cujo custo é equivalente a
dois Planos Marshall em contra! No que diz respeito aos fabricantes de aviões
franceses e suecos os responsáveis brasileiros deveriam saber que proporção das
partes e tecnologia estadunidense continham os Rafale e os Gripen -NG . Porque
se eles tinham mais do que 10 por cento, e não de tudo o avião, mas cada uma de
suas partes principais: aviónica, fuselagem, sistemas eletrônicos, informática,
etc, seria o suficiente para que em caso de conflito com o Brasil, Washington
exigisse a implementação de um embargo sem que os governos atuais (e os previsíveis)
da França ou a Suécia pudessem recusar-se a obedecer, sob pena de violar a
legislação destinada a assegurar nada menos que a segurança nacional dos
Estados Unidos. Tome-se nota do seguinte: o motor que impulsiona o Gripen -NG é
um desenvolvimento de uma turbina fabricada pela empresa dos EUA General
Electric. Só isso já é o suficiente para que ante uma disputa entre Washington
e Brasília, Suécia possa verse obrigada a parar o fornecimento de peças e
software para as aeronaves vendidas ao Brasil, a menos que esteja disposta a
arcar com os custos de um sério conflito com os Estados Unidos.

O Sukhoi: a carta
russa
Assim, a única coisa que poderia ter garantido a independência militar
do Brasil teria sido adquirir seus aviões em países que, por seu poderio, por
razões de sua própria inserção no sistema internacional e por sua estratégia
diplomática, estivessem isentos do risco de se tornarem executores obedientes
dos mandatos da Casa Branca. Há apenas dois países que possuem essas
características e, por sua vez, têm a capacidade tecnológica para construir
aviões de combate de última geração: Rússia e China, os fabricantes Sukhoi e
Chengdu J -10, respectivamente.
Consequentemente, o debate sobre quem forneceria novas aeronaves que
Brasil – e a os países com os quais compartilha a Bacia Amazônica!- necessitam,
chegou abruptamente a um ponto completamente inesperado: descartados os F-18 e
os Rafale, a opção mais razoável teria sido chamar a uma nova licitação e
permitir a inscrição de aviões russos e chineses. Infelizmente, este não foi o caminho
escolhido por Brasília. Alguém pode se perguntar o que há de errado com sueco
Gripen -NG. Não apenas o que indica o relatório secreto que vazou para a
imprensa e detalhado acima, mas também do ponto de vista político, não há
garantia nenhuma de que Estocolmo- ou seja a Suécia de hoje, não a que existia
na época de Olof Palme, que por algo foi assassinado- ele irá se comportar de
forma diferente a uma requisitória de Washington para embargar a remessa de
peças e software para os Gripen FAB -NG. Por isso, em 18 de dezembro de 2013 o
Ministro da Defesa do Brasil , Celso Amorim, anunciou os resultados da
licitação com a adjudicação dos mesmos para a empresa sueca SAAB, fabricantes
de Gripen -NG. «A escolha foi baseada em critérios de desempenho, transferência
de tecnologia e custo», disse ele na conferência de imprensa para esta
finalidade.
Infelizmente, a eleição não considerou os critérios mais
importantes em matéria que fazem a autodeterminação e de defesa nacional: a geopolítica.
Como se poderia ignorar um relatório oficial do Parlamento Europeu del 14 de
Fevereiro 2007 que estabeleceu que, após os atentados de 11 –S -entre os anos
2001-2005 – a CIA operou 1.245 voos ilegais no espaço aéreo europeu,
transferindo «presos fantasmas»
(“ghost detainees”) hacia centros de
detenção e tortura na Europa (especialmente na Roménia e Polónia) e no Oriente
Médio ? Entre os governos que se prestaram a tão sinistro tráfego se encontra o
país onde vai se se fabricar  os aviões
encargados de monitorar o espaço aéreo brasileiro, Suécia, que, apesar de que no
relatório não é acusado de ter admitido o «interrogatório» no seu
território, mas sim permitiram que esses «voos da morte» americanos reabasteceram
e encontraram apoio e logística nos seus aeroportos. Sendo assim, como se pode
confiar em um país que se prestou a uma manobra tão atrozmente viola tória dos
direitos humanos poderia recusar a «cooperar» com Washington, no caso
que este pedir parar de enviar suprimentos, peças e software para os Gripen FAB
-NG?

Conclusão
Então nós dissemos antes e o afirmamos com mais força agora que a
única opção verdadeiramente autônoma que a presidente Dilma Rousseff tinha era a
de adquirir os Sukhoi russos, mesmo à custa de ter de suportar a crítica
virulenta dentro e fora do Brasil. No interior, porque todos sabem de que existe
setores internos que propõem  esquecer a
América Latina e militam em favor de uma aliança incondicional com os Estados
Unidos e Europa, e em que predomina a mentalidade da Guerra Fria, que os
Estados Unidos tem se há esforçado para manter viva ao longo dos anos, embora
com um pouco de maquiagem.
Por exemplo, já não falam de “ameaça soviética”, mas a
«ameaça terrorista»; e Rússia, ao conceder asilo e proteção para o
ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, confirma que não
se encontra do lado da liberdade e da democracia, mas precisamente na calçada
oposta. E críticas fora do Brasil, porque os EUA não só pressionou para abortar
uma eventual decisão em favor do Sukhoi, mas, em
caso de concretarse a adquisición, assediaria a Brasilia com condenações e sanções de todo
tipo.
A ambição exorbitante do imperialismo e seus abusos sistemáticos
do direito internacional e da soberania nacional brasileira não iria deixá-lo à
presidente Dilma Rousseff qualquer alternativa. Sua única saída para garantir o
controle da bacia amazônica, mais por necessidade do que por convicção, foram
os Sukhoi. Quaisquer outras opções colocariam em grave risco a autodeterminação
nacional. Infelizmente estas considerações geopolíticas não foram tidas em
conta e se tomou uma má decisão – a menos ruim porque pior seria comprar o F-18
-mas ruim no final porque é antagônico ao interesse nacional brasileiro e, por
extensão, para as aspirações de autodeterminação da América do Sul.
Com esta decisão, o Brasil vai monitorar e preservar a integridade
da  ameaçada Amazônia até que haja uma
disputa com os Estados Unidos ou qualquer um de seus comparsas, mas se um
conflito se desatara Brasil seria praticamente desarmado e refém à chantagem e
arrogância de Washington. O problema não era apenas com a aeronave Boeing, mas
também com os de qualquer outro país que se espera venha a se curvar às
requisições solícitos de Washington, como todos os europeus. Comprar aeronaves
ao aliado que espiona as autoridades e as empresas brasileiras e aliado também
de quem ameaça ao país com vinte e seis bases militares é um gesto de incrível
insensatez política e revela um amadorismo imperdoável na arte da guerra, erros
que vão custar muito caro para o Brasil e, por extensão, a toda a América do
Sul.

Com a aquisição dos Gripen-NG se desperdiçou uma grande
oportunidade de se mover em direção à autodeterminação militar, um
pré-requisito para a independência econômica e política. Não só o Brasil tomou
uma péssima decisão que prejudica sua soberania; também perdeu a Unasul porque
com ela também se obstaculiza a clara percepção de quem é o verdadeiro inimigo
ameaçando-nos com sua máquina de guerra infernal. Então, hoje é um dia muito
triste para a nossa América. Como se costuma dizer no jargão de jogos de
guerra, «game over», e, infelizmente, ganharam os vilões! Tomara que
os movimentos sociais e as forças políticas patrióticas anti-imperialistas no
Brasil tenham a capacidade de reverter uma decisão tão infeliz.